Circuito Musical – Disciplina de Didática do Curso de Licenciatura em Música

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Sempre penso em escrever mas termino deixando para depois e depois nunca chega, então vamos lá. Já tive muitas surpresas nesses quatorze anos como professora, da Educação Infantil ao Ensino Superior. Sou Licenciada em Pedagogia e já dei aula de Informática por oito anos, trabalho com formação de professores das escolas estaduais, já orientei estágio na Educação Infantil, agora oriento estágio na Educação Profissional e Tecnológica…

Mas esse semestre tive uma nova surpresa quando recebi o seguinte e-mail: Prezada professora, Estamos encaminhando, via anexo, a retificação do seu quadro de horário onde fora acrescentada a disciplina MEN1137 referente ao Curso 734 – Música.

Na hora que olhei pensei que era engano. Música? Eu não sei nada de música , tenho um ritmo próprio e sou proibida de cantar até pelos meus amigos… Eu amo música, escrevo escutando música, música ao vivo com cerveja me faz muito bem, mas dai a dar aula no Curso de Música. Não tem nada que eu possa fazer por lá, pensei.
Quando abri o anexo vi que estava certo o horário, era a disciplina de Didática no Curso de Licenciatura em Música, olhei o programa da disciplina, quase igual as outras disciplinas de Didática que já tinha trabalhado no Curso de Pedagogia e no Curso de Formação de Professores.
Eu gosto de Didática, na verdade aprendi a gostar trabalhando com ela. Ver a diferença entre metodologia e  métodos, os recursos, o planejamento… é apaixonante perceber como tudo está entrelaçado, a ligação e a importância dos saberes para elaborar um planejamento. Isso a Didática nos oferece!
Com as outras turmas que trabalhei nessa disciplina sempre fazíamos um planejamento, um plano de aula ou uma sequência didática para uma turma ou uma área do conhecimento.
Mas com o decorrer da disciplina além de aprender muito com essa turma. As músicas agora são bem elaboradas ou não, os planos de aula ganharam um novo item, o repertório. Isso sem falar na percepção, na escuta sensível que eles tem, cada a seu modo e no seu tempo.
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Alunos da disciplina de Didática do Curso de Licenciatura em Música da UFSM.

Foi nesse caminho que surgiu a ideia de desenvolver o planejamento na escola. Considerando as especificidades do ensino de música, organizamos um Circuito Musical. Essa atividade prática tinha o objetivo de proporcionar aos estudantes dos anos iniciais de uma escola pública de Santa Maria uma vivência musical, buscando desenvolver o gosto pela música.

A turma foi organizada em duplas ou trios para elaborar o planejamento de atividade, tipo uma oficina de 20 minutos para alunos dos anos iniciais. Cada dupla/trio escolheu uma atividade que tivesse mais afinidade com a proposta/músicas/instrumentos.
Entramos em contato com a Escola Municipal Santa Helena, que nos recebeu de braços abertos.
Ao todo foram cinco oficinas acontecendo ao mesmo tempo, com cinco grupos de alunos, onde todos os grupos participaram de todas as oficinas, no formato de um circuito. As atividades foram:
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Jogo de copos – Raquel e Carolin

Jogo de Mãos – Mari e Marineia

 

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Prática Musical – Jade, Jeancarlo e Daniel

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Percussão corporal – Emerson, Miguel e Clauson

A música oferece inúmeras possibilidades, desde os saberes que são próprios do ensino de música, e outros como linguagem, expressão corporal, matemática…  Atenção, percepção, concentração ultrapassam as aulas de músicas e refletem no processo de ensino aprendizagem como um todo.
Foi uma tarde de olhos atentos e sorrisos abertos.

Meu primeiro livro!!!

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Já faz alguns dias que chegaram da editora os meus exemplares, ficou uma lindeza. E isso me deixou feliz comigo, tanto pelo resultado como por ter concluindo todo o processo.

Essa publicação é a minha dissertação de mestrado em formato de livro, queria ter modificado algumas coisas, mas já tinha passado um tempo e se não fizesse agora não faria mais.

A ideia do livro sempre me agradou além de pontuar bastante no currículo. Considerando o quando se gasta num evento, não estou falando que eventos não são importante, adoro eventos, mas estamos mais acostumados a gastar com eventos e não com publicação de livros.

As publicações e quanto elas pontuam no currículo e no ego de cada pesquisador muda bastante conforme a área do conhecimento. A Capes tem um sistema de classificação da produção intelectual que você pode conferir aqui.

O meu primeiro passo foi verificar nos editais de concurso e fomento para pesquisa o que precisa ter um livro pra ser pontuado, depois comecei a pesquisar editoras.

Escolhi a editora por um conjunto de informações, referências de amigos que já tinham publicado antes, orçamento, conselho editorial e um fator que pra mim é muito importante a qualidade do atendimento. Fui bem atendida durante todo o processo de edição, os contatos foram todos por e-mail e sempre tive respostas para eventuais dúvidas.

Quem fez o prefácio do livro foi a minha orientadora do mestrado, que me acompanhou durante o desenvolvimento da pesquisa e conhecia todo o trabalho. Adorei a escrita dela. O sumário e o prefácio do livro estão disponíveis no site da editora, aqui.

Outra experiência bacana são os capítulos de livros que são organizados por temáticas, fruto de eventos e pesquisas… mas esse assunto fica para uma próxima postagem.

Material para aula sobre Mapas Conceituais

10661771_10204683284944850_7115218500574853900_oMapa Conceitual feito em aula, pelos alunos do Programa Especial de Graduação para a Educação Profissional.

Revista Nova Escola: David Ausubel e a aprendizagem significativa

Artigo:Mapas conceituais e aprendizagem significativa – Marco Antonio Moreira

Tutorial sobre CMapTools: http://penta3.ufrgs.br/tutoriais/Tutoria-CmapToolsV5/conteudo.htm

Sobre Mapas Conceituais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mapa_conceitual

Sobre Mapas Mentais:http://pt.wikipedia.org/wiki/Mapa_mental

Vídeos:

Uso de Mapas Conceituais como Ferramenta de Aprendizagem do curso de Especialização em Informática na Educação – CEAD/IFES.

Entenda as diferenças entre mapas mentais e mapas conceituais.

David Harvey em Porto Alegre

 

Fui assistir ontem a palestra Para Ler “O Capital” proferida por David Harvey em Porto Alegre.

Esse não é um autor que faz parte da minha pesquisa de doutorado, nem a temática que ele trabalha tem ligação direta com a minha pesquisa. Ainda assim, acredito que o conhecimento sobre Marx/Capital/Capitalismo é fundamental para qualquer pesquisador, ainda que não faça parte do nosso repertório diário não podemos negar sua relevância e contribuição para a leitura do nosso mundo. Sinto um certo desconforto em acompanhar estudos/pesquisas descoladas de alguma teoria que fundamente a história/contexto/ideologia que está inserida.

Muitas vezes falamos em educação sem dizer de que educação estamos tratando, pesquisamos escola/professores/práticas como se tudo isso não fizesse parte de um contexto histórico, social, cultural… é preciso um recorte, uma delimitação temporal, de espaços, de sujeitos, mas, isso não implica em descolar o objeto/sujeito de pesquisa do mundo. A escola tal, localizada na região X, com tantos professores e alunos… Tá, mas e daí? Qual é a política que baliza as ações desses sujeitos, de que estado estamos falando, a escola, educação, professores está assim hoje em decorrência de uma história. Ou não?

Isso sem falar na coitada da pedagogia, é pedagogia disso, pedagogia daquilo… mas afinal o que é pedagogia? Bom isso é assunto pra outra conversa… voltado para a palestra…

Para quem não tem notícia de quem é esse autor, ler aqui!

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A abertura da palestra foi realizada pela Luciana Genro (sobre ela aqui!), durante a sua fala destacou que o capitalismo não pode ser entendido como último estágio da humanidade.

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Harvey começou falando sobre os seus quarenta anos de experiência ministrando aulas sobre O Capital, e que só começou a ler Marx com 35 anos, que a nossa leitura de mundo muda completamente depois de ler O Capital, de como é divertido usar as ideias de Marx sem citar a fonte, que fazendo isso vamos parecer mais inteligentes… entre uma brincadeira e outra comentou que cada vez  vê as pessoas que não acreditam no capitalismo, criticando a obra de Marx sem ao menos saber do que realmente se trata, ou sem ter lido, ele percebe que o pensamento de Marx segue cada vez mais vivo.

Algumas anotações:

- Duas formas de valor, valor de uso e valor de troca e como esses valores são invertidos, usando essa lógica para explicar a crise imobiliária e como isso foi usado pela burguesia para pacificar a população.

- O valor de uso não pode existir sem o valor de troca (pag. 1 do Capital).

- O que é o dinheiro? O dinheiro é uma representação da sociedade do trabalho.

- Quem produz o que você compra? Como funciona as relações de produção, as condições ambientais e trabalhistas?

- Se tudo é como aparenta na superfície não precisamos de ciência.

- O acumulo do dinheiro como forma de poder social gera as classes sociais.

- O dinheiro nos guia, nos anima, é a busca do Santo Graal… fazemos isso sem entender o que ele representa.

- Qual a contradição do valor de uso e do valor de troca?

- Que tipo de Sociedade queremos construir?

- O dinheiro perverte a democracia.

- Deveríamos ter uma forma de dinheiro sem acúmulo?

- A teoria de Marx não é uma teoria sobre construção social e sim do capital e como o motor econômico faz isso girar.

- Precisamos pensar o que o O Capital está nos ensinando ou que ele não está.

- Eu leio tudo cuidadosamente, os autores do sec. XVI em diante, são elementos da verdade daquele mundo.

- O Capital não fala sobre o capitalismo, o Capital é determinista… O que é O Capital e o que ele faz?

Após a palestra teve espaço para as perguntas, foram mais de 30, ele respondeu 7 perguntas em dois blocos, não tive sorte com a minha, mas ainda assim fui contemplada com a de outra pessoa.

Harvey falou sobre a internet, comentou que ela iniciou de forma democrática e hoje está cada vez mais imersa no controle, num monopólio dos grandes sites. A internet é material e tem consequências materiais. Precisamos pensar sobre a produção de computadores/celulares, onde e como são feitos, sobre as políticas de regulação, os direitos autorais e produção de software. A internet como meio de comunicação pode ser usada para mobilização social.

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Crianças com brinquedo novo!!!

Na foto acima dois colegas de doutorado, Antônio Dias e Fernando Bilhalva.

#bônus

A viagem Pelotas/Porto Alegre foi ótima, 600 kilometros de conversa sobre vários assuntos, mas o predominante foi “O Capital” acompanhada de uma musiquinha boa… do cantor Carlos Careqa, que você pode baixar aqui! e da cantora Julieta Venegas que você pode escutar aqui!

Ciclo de formação de tutores… Tutor é Professor?

Participei no dia 17/09 do IV Ciclo de formação de tutores, os ciclos de formação fazem parte do “Programa de formação e desenvolvimento profissional de tutores” promovido pelo grupo de pesquisa Kósmos, oferecido a todos os tutores da UAB/UFSM.

O “Programa de formação e desenvolvimento profissional de tutores” é coordenado pela Profª Adriana Moreira da Rocha Maciel e tem o objetivo de promover a educação permanente de tutores de EaD, atuantes a distância e presenciais, a partir de uma visão integrada das diferentes dimensões implicadas na dimensão prática docente e gestora da tutoria e na qualificação das relações éticas e humanas com os diferentes protagonistas dos processos formativos.

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Danilo, Valmor, Eu e a Mariana

A proposta do ciclo foi discutir o papel do tutor na EAD suas atribuiçõoes e condições de trabalho desse profissional.

Você pode assistir o vídeo aqui!

Esse assunto gera muitas discussões e merece atenção. Para saber mais sobre:

Práticas Pedagógicas na Educação a Distância: deslocamento de memórias e de sentidos
Minha dissertação de mestrado que discute no capítulo 5 se tutor é professor.

A Ação Docente na EAD: A Mediação do Tutor entre o Discurso e a Prática
Dissertação de José Severino da Silva

Blogue Tutor é Professor: http://enpead.blogspot.com.br/

Formato Aberto

Tenho ocupado grande parte do meu tempo, ou quase todo que passo acordada, envolvida com a minha dissertação, orientações, leituras, escritas, leituras novamente, grupo de pesquisa e publicações. Nesse último item entram os eventos da área.

Eventos deveriam ser espaços para compartilhar resultados de pesquisas cientificas, relatos de experiências, estudos bibliográficos… produções organizadas e publicadas seguindo algumas orientações, orientações necessárias para facilitar as avaliações dos trabalhos submetidos e publicados para que outras pessoas possam ler, utilizar, conhecer o que está sendo feito na sua área de pesquisa e interessse.

Eu defendo a utilização de padrões abertos, por acreditar que eles favorecem e fortalecem a produção e o compartilhamento de informações e conhecimento.

Mas não é só o que eu penso ou acredito que me inquieta nesse assunto. No Brasil pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) o formato padrão ISO é ODF pela norma NBR ISO/IEC 26.300, publicada em 2008.

Eventos que discutem políticas públicas, qualidade da educação, formação de professores… na sua marioria organizados por instituições públicas e privadas que ao meu ver deveriam ser as primeiras a levantar a “bandeira” de uma cultura livre e compartilhada e se não isso, ao menos seguir a normatização orientada pela ABNT.

Esse assunto já foi discutido na lista do http://sleducacional.org principalmente pelo Frederico da http://teia.bio.br/

Resolvi falar dele novamente, pois cada fez que vou me inscrever em um evento essa inquietação volta.