David Harvey em Porto Alegre

 

Fui assistir ontem a palestra Para Ler “O Capital” proferida por David Harvey em Porto Alegre.

Esse não é um autor que faz parte da minha pesquisa de doutorado, nem a temática que ele trabalha tem ligação direta com a minha pesquisa. Ainda assim, acredito que o conhecimento sobre Marx/Capital/Capitalismo é fundamental para qualquer pesquisador, ainda que não faça parte do nosso repertório diário não podemos negar sua relevância e contribuição para a leitura do nosso mundo. Sinto um certo desconforto em acompanhar estudos/pesquisas descoladas de alguma teoria que fundamente a história/contexto/ideologia que está inserida.

Muitas vezes falamos em educação sem dizer de que educação estamos tratando, pesquisamos escola/professores/práticas como se tudo isso não fizesse parte de um contexto histórico, social, cultural… é preciso um recorte, uma delimitação temporal, de espaços, de sujeitos, mas, isso não implica em descolar o objeto/sujeito de pesquisa do mundo. A escola tal, localizada na região X, com tantos professores e alunos… Tá, mas e daí? Qual é a política que baliza as ações desses sujeitos, de que estado estamos falando, a escola, educação, professores está assim hoje em decorrência de uma história. Ou não?

Isso sem falar na coitada da pedagogia, é pedagogia disso, pedagogia daquilo… mas afinal o que é pedagogia? Bom isso é assunto pra outra conversa… voltado para a palestra…

Para quem não tem notícia de quem é esse autor, ler aqui!

luciana

A abertura da palestra foi realizada pela Luciana Genro (sobre ela aqui!), durante a sua fala destacou que o capitalismo não pode ser entendido como último estágio da humanidade.

harvey_david

Harvey começou falando sobre os seus quarenta anos de experiência ministrando aulas sobre O Capital, e que só começou a ler Marx com 35 anos, que a nossa leitura de mundo muda completamente depois de ler O Capital, de como é divertido usar as ideias de Marx sem citar a fonte, que fazendo isso vamos parecer mais inteligentes… entre uma brincadeira e outra comentou que cada vez  vê as pessoas que não acreditam no capitalismo, criticando a obra de Marx sem ao menos saber do que realmente se trata, ou sem ter lido, ele percebe que o pensamento de Marx segue cada vez mais vivo.

Algumas anotações:

– Duas formas de valor, valor de uso e valor de troca e como esses valores são invertidos, usando essa lógica para explicar a crise imobiliária e como isso foi usado pela burguesia para pacificar a população.

– O valor de uso não pode existir sem o valor de troca (pag. 1 do Capital).

– O que é o dinheiro? O dinheiro é uma representação da sociedade do trabalho.

– Quem produz o que você compra? Como funciona as relações de produção, as condições ambientais e trabalhistas?

– Se tudo é como aparenta na superfície não precisamos de ciência.

– O acumulo do dinheiro como forma de poder social gera as classes sociais.

– O dinheiro nos guia, nos anima, é a busca do Santo Graal… fazemos isso sem entender o que ele representa.

– Qual a contradição do valor de uso e do valor de troca?

– Que tipo de Sociedade queremos construir?

– O dinheiro perverte a democracia.

– Deveríamos ter uma forma de dinheiro sem acúmulo?

– A teoria de Marx não é uma teoria sobre construção social e sim do capital e como o motor econômico faz isso girar.

– Precisamos pensar o que o O Capital está nos ensinando ou que ele não está.

– Eu leio tudo cuidadosamente, os autores do sec. XVI em diante, são elementos da verdade daquele mundo.

– O Capital não fala sobre o capitalismo, o Capital é determinista… O que é O Capital e o que ele faz?

Após a palestra teve espaço para as perguntas, foram mais de 30, ele respondeu 7 perguntas em dois blocos, não tive sorte com a minha, mas ainda assim fui contemplada com a de outra pessoa.

Harvey falou sobre a internet, comentou que ela iniciou de forma democrática e hoje está cada vez mais imersa no controle, num monopólio dos grandes sites. A internet é material e tem consequências materiais. Precisamos pensar sobre a produção de computadores/celulares, onde e como são feitos, sobre as políticas de regulação, os direitos autorais e produção de software. A internet como meio de comunicação pode ser usada para mobilização social.

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Crianças com brinquedo novo!!!

Na foto acima dois colegas de doutorado, Antônio Dias e Fernando Bilhalva.

#bônus

A viagem Pelotas/Porto Alegre foi ótima, 600 kilometros de conversa sobre vários assuntos, mas o predominante foi “O Capital” acompanhada de uma musiquinha boa… do cantor Carlos Careqa, que você pode baixar aqui! e da cantora Julieta Venegas que você pode escutar aqui!

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