Chega do eu acho!



Recebi de um amigo a indicação desse texto hoje, ele está disponível no site Escola BR.


Vale a pena ler!
Abraços e uma ótima semana!


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Chega do eu acho!
Prof. Eziquiel Menta

Sabe aqueles dias em que você não consegue dormir por estar preocupado? De tão inquieto com algo acaba ficando irritado por não dormir? Pois bem hoje é um destes dias e depois de tanto me revirar na cama resolvi ligar o computador e aproveitar para compartilhar com você meu colega leitor.

Esta minha insônia tem uma relação muito grande com um certo tipo de “virose” que venho identificando nas falas de algumas pessoas que atuam em formações de professores para utilização de tecnologia na educação. Tais sintomas não escolhem região geográfica, gênero, partido político, formação acadêmica e nem tão pouco é generalizada, mas tenho percebido que o número de pessoas contaminadas está crescendo e o pior é que muitas destas não reconhecem o problema e acabam tornando tal doença crônica e altamente contagiosa. Vou batizar de “Rompimento paradigmático com tecnologia de uma concepção educativa que nem possuo”.

Imagine se hoje nos jornais e sites surgisse a notícia de que um grupo de médicos pesquisadores conseguiram desenvolver uma técnica para a transferência de cérebro entre humanos. Um médico, professor de uma conceituada universidade, consegue alguns artigos sobre o assunto. Empolgado e com a maior boa vontade resolve ensinar seus alunos de medicina na universidade em que trabalha, porém sem nunca ter ao menos presenciado a utilização de tal técnica!

Um dos problemas que me levam a não dormir hoje nem sequer contando carneirinhos é perceber este tipo de situação acontecendo muito na Educação e infelizmente muito em formações para uso de tecnologia de maneira educacional. Propor metodologias e tecnologias sem as ter utilizado na sua prática docente é no mínimo uma imprudência profissional muito grande. Muitos destes entusiastas do uso de tecnologia na educação NUNCA sequer utilizou em UMA aula as
ferramentas que indica para seus professores. Sugere blogs mas não escreve nem em uma folha de papel, circula pela internet utiliza os textos dos posts que lê mas nunca ao menos deixa um pequeno comentário. Fala de wikis, trabalho colaborativo, web 2.0 mas nem se da ao trabalho de responder os emails dos colegas assistem suas palestras. Pior MUITOS NUNCA SEQUER ENTRARAM EM UMA SALA DE AULA!!!!!

Existe um ditado que sei que todos conhecem, mas hoje em dia se a coisa continuar assim talvez precise ser reescrito: Faça com que os outros façam o que eu falo, mas não deixem que estas pessoas façam o que eu faço. Meu medo está nisso, que esta corrente continue se multiplicando, se tornando cada vez mais em um discurso vazio.

Lembro nas pesquisas que iniciamos com Gerenciadores de Conteúdos (na época com PHPNUKE), ou com webquests, e principalmente os podcasts. Depois de ler sobre o assunto sempre me preocupei em saber fazer. Estudei, testei, convidei colegas a discutir e SEMPRE após os meus estudos e produções, levei para situações reais com alunos para só então propor materiais que aqui compartilhamos para outros professores. Vejo muito disso nos trabalhos, por exemplo, da professora

Léa Fagundes e de seu pessoal do LEC, o que eles propõem é o que realmente fazem em suas formações. Pesquisadores que possam falar de experiências em que realmente vivenciaram está cada vez mais difícil na educação.

Está na hora de começarmos a questionar a estes “amantes da tecnologia educacional”, acho que vou bem “inocente” começar a perguntar coisas do tipo:

(1) – Professor, ao invés de passar seu email posso me corresponder por comentários em seu blog? Qual mesmo o endereço?
(2) – Queria tanto escrever colaborativamente na wikipedia, como sugeriu, mas me sentiria mais seguro em fazê-lo em um verbete em que o senhor tenha colaborado, se possível me indique apenas um e prometo tentar fazer algumas contribuições, ok?

(3) – Sabe desde que começou esta palestra fiquei tentando lembrar de onde já tinha o visto, não seria de um vídeo disponível no Youtube? Você tem mais vídeos compartilhados por lá?

(4) – Estou gostando desta história de web 2.0, queria experimentar… que comunidade você recomenda que eu participe?

(5) – Fiquei tão feliz em saber mais sobre o software livre, creative commons e esta tal cultura livre, isso amplia em muito nossas possibilidades no trabalho docente. Quer dizer então que posso re-escrever alguns trechos do seu livro e publicar como uma obra derivada gratuitamente em meu site?

Eu avisei que estava irritado no começo deste post!

Outra coisa que tem me tirado do sério são professores que já possuem o “dom” de clicar se referindo aos seus colegas de profissão ainda não iniciados digitalmente sempre na terceira pessoa. Talvez você também já tenha ouvido coisas do tipo:
– Os professores tem muita resistência ao uso de tecnologias.
ou
– Eles (os professores) não compartilham suas produções.

Por favor, vamos parar com tanta hipocrisia? Somos Nós professores e não eles! Nós professores temos muita resistência a mudanças, aliás o ser humano. Nós professores dificilmente compartilhamos nossas produções. Acha que estou errado? Nas escolas por onde trabalhou é natural o pessoal compartilhar os planos de aula que deram certo, ou até mesmo divulgar os erros cometidos ao aplicar uma determinada metodologia? Se NÓS que somos professores não escrevemos, criamos, publicamos e compartilhamos como sugerir que tanto nossos colegas de profissão como nossos alunos o façam?

ELES os professores, fico imaginando qual a profissão deste deus da sabedoria? QUal a concepção pedagógica ou teoria da aprendizagem que baseia esta teoria para considerar que seu colega de trabalho, muitas vezes com formação até superior a dele, é uma tábua rasa de conhecimento porque não domina um mouse. Garanto a todos que aprendi muito mais do que ensinei durante todas minhas aulas e formações de professores, e quero registrar que não saber teclar ou enviar um email pode ser superado em muito pouco tempo, porém “arrogância intelectual” muitas vezes não tem cura.

Me perdoem a sinceridade mas já está mais do que na hora de termos mais professores reais na educação e extinguir tantos papagaios!

14 comentários sobre “Chega do eu acho!

  1. Vanessa,
    Se eu já era fã de carteirinha do Ezequiel, agora então…
    Vejo tanta gente falando maravilhas do trabalho colaborativo, num discurso maravilhoso, mas na hora de colaborar nem aparecem!
    bjo

  2. Uau!!! Teóricos da educação tem aos montes!!!! Até na Veja tem uma cacetada…Entrar em sala de aula, abrir o santuário do “laboratório de informática” é que são elas… Valeu Professor Ezequiel!!!

  3. Não entrarei no mérito das outras questões apontadas pois ainda estou em uma sala de aula do 5º ano, e procurando alternativas no laboratório de informática que possuímos; mas concordo quanto ao uso de professores na terceira pessoa. Acredito que a linguagem é denotativa de afastamento, do “sentir-se professor”. E quanto às práticas colaborativas, às vezes elas me parecem mais fáceis no mundo virtual do que no dia a dia das escolas…

  4. Vanessa,
    Apesar de não ser uma educadora como todos vocês, trabalho em uma instituição educacional e convivo diariamente com os professores e todos os problemas enfrentados por eles. Tiro o chapéu para esse texto e dou os parabéns pelo desabafo corajoso desse autor. É assim mesmo que começamos as mudanças: agitar para mudar.
    Parabéns!

  5. Vanessa, adorei o texto do professor Ezequiel! Assim como ele também fico muito chateada quando ouço pessoas falando em Tecnologia Educacional sem conhecimento de causa. Infelizmente muitas pessoas que conduzem a educação neste país falam muito e pouco fazem pois não tem a humildade de deixar que as pessoas que têm o domínio e o conhecimento atuem nas suas funções.Realmente é muito fácil culpar os outros professores mas quando estão ou estavam na sala de aula nada fazem ou faziam para enriquecer sua prática pedagógica.

  6. OIEEE…
    EU ACHO OTIMO O TRABALHO DE TODA A ESCOLA QUE OFERECE MUITOS BENEFÍCIOS
    PARA OS ALUNOS, E TAMBÉM O LABORATÓRIO
    DE INFORMÁTICA QUE É MUITO LEGAL,PORQUE
    TODOS OS ALUNOS PODEM FAZER PESQUISAS E
    ESTUDAR PARA PROVAS,TRABALHOS,ETC…

    BJSSS DE QUEM AMA A ESCOLA!!!!!!!

  7. Nooosa!!!
    Amei o texto, durante a leitura me senti triste, impotente, e até ofendida em algumas partes, mas verdadeiramente, este texto é muito bom!!!
    Faz a gente refletir e mudar um pouco a postura!!
    Bjs

  8. Olá Vanessa,
    Excelente e verdadeiro texto. É realmente um puxão de orelha em todos nós.
    Vale a reflexão e autoanálise!

    Quero também lhe dizer que indiquei o “Prêmio Sem Fronteiras” para o seu blog. Passe lá para pegá-lo, ok!
    beijinhos e ótimo domingo.

  9. Olá Vanessa gostei muito do texto e é bem como diz a leitura, as pessoas ficam acomodadas com medo do novo, criando barreiras para elas mesmas. Na escola onde trabalho estou tendo a oportunidade de fazer o curso Linux juntamente com os professores e noto a dificuldade e também a falta de interesse deles pelas novas tecnologias.

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