O poodle e o curumim

Pessoal essa crônica foi publicada no Jornal Diário de Santa Maria, vale a pena ler!

O poodle e o curumim

A cena inacreditável foi descrita pela professora Adriana do Amaral, em carta publicada ontem pelo Diário: sentado na escadaria de uma loja da Rua do Acampamento, ao lado de uma cesta contendo umas poucas moedas, um indiozinho de dois anos de idade, invisível, oculto, ignorado, pedia esmolas. Bem na frente do curumim, um grupo de cidadãos apreensivos decidia o que fazer com um filhotinho de poodle extraviado na calçada.
Um cãozinho perdido é mesmo de dar dó. Ele podia estar com fome. E com medo. Podia estar sentindo a falta da mãe. Ou dos donos. Um pecado. Não fosse a compaixão daquelas pessoas, o poodle poderia até mesmo ser atropelado, já que um filhote assim, tão pequeno, ainda não conhece os perigos do mundo, nada sabe sobre os automóveis nem sobre a vileza alheia, não entende o egoísmo e nem a indiferença.
Por sorte, o cachorrinho pôde contar com a proteção dos passantes. Por sorte, existe a lei. Por sorte, existe a Sociedade Protetora dos Animais. Basta acioná-la para que o filhote ganhe apoio institucional. Se até os vira-latas famintos despertam a humanidade que há em cada um de nós, por que um poodle branquinho, tosquiadinho e cheirando a xampu não despertaria?
A professora Adriana ficou chocada porque achou que o filhotinho de gente talvez merecesse o mesmo tipo de comiseração que o filhotinho de cão. Mas o filhote de gente, professora, é índio. Pior, é pobre. E encardido, ranhento, maltrapilho. Não alegra as famílias nos apartamentos, nem nos livra da solidão. Ao contrário, aquele curumim é um estorvo maculando o comércio da rua mais importante da cidade, a nossa primeira rua, a rua mitológica nascida do acampamento de uma missão demarcatória, ainda no período colonial. Quem não sabe disso? Quando os fundadores chegaram aqui, não havia nada. Bem, não havia nada era modo de dizer. Havia índios. Mas isso não tem a menor importância.

Marcelo Canella

4 comentários sobre “O poodle e o curumim

  1. Chocante!! Não existe comparação: gosto muito de animais, mas conheces Eduardo Dusek? Com sua irreverencia disse: “Troque seu cachorro por uma criança pobre”…
    Já ouvi absurdos como: cachorrinhos não vão nos morder mais tarde, quando ficarem adultos!
    Em 1986 quando estava grávida, minha sogra contratou uma empregada, que teve o bebê na rua…Pedro nasceu de 6 meses, com um palmo, 800g, tres meses antes do Matheus nascer. Quando saiu do hospital,Matheus já tinha 3 meses colocávamos Pedro debaixo de um abajur, pois sentia muito frio. Ele foi crescendo, morávamos perto e os dois eram inseparáveis. Quatro anos depois, mudamos para o interior, Pedro quis ir também.
    Hoje se quizer ver o fim da história: visite o fotolog da banda do Matheus:http://www.fotolog.com/jawsbanda/16064731
    Pedro é o primeiro da fila e Matheus é o último – este meu filho e o outro, meu grande amigo!
    Em tempo: Adoro cães: tive dois pastores, um rotweller e agora uma poodle. Os grandes morreram de velhice, mas o Rotweller morreu isolado, só eu tive pena dele: mordeu o Pedro quando tinha 7 anos.

  2. Todo dia é dia do índio

    Trabalhando o descaso com um índio mostrado na reportagem do Diário de Santa Maria no dia 17 de março, não entendo como as pessoas dão mais valor para um cachorro do que para um indiozinho de dois anos de idade.
    Eu que tenho 10 anos sei que as pessoas devem respeitar os índios que são os verdadeiros donos do Brasil e é por isso que os brancos devem respeitar os índios. Além disso, eu queria que todo dia fosse dia do índio, porque eles merecem.
    Nataly Giovana Carvalho
    Aluna da 4ª série

  3. Todo dia é dia do índio

    Trabalhando o descaso com um índio mostrado na reportagem do Diário de Santa Maria no dia 17 de março, não entendo como as pessoas dão mais valor para um cachorro do que para um indiozinho de dois anos de idade.
    Eu que tenho 10 anos sei que as pessoas devem respeitar os índios que são os verdadeiros donos do Brasil e é por isso que os brancos devem respeitar os índios. Além disso, eu queria que todo dia fosse dia do índio, porque eles merecem.
    Nataly Giovana Carvalho
    Aluna da 4ª série

  4. Eu estou estudando sobre a valorização do ser humano.
    Cheguei a conclusão que índios são menos importante do que animais de estimação.Me espelhei na reportagem do dia 17/03/2007 que havia um cachorro perdido e um indiozinho pedindo esmola, 53 pessoas pararam para ajudar o cachorro e apenas 2 pessoas pararam para ajudar o indiozinho.
    Isso explica que a maioria das pessoas se interessam mais por um cachorro do que um ser humano.

    Caroline
    9 anos
    Aluna da 4ª série
    Professor Sérgio

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